… tive um sonho … lágrimas de bruxa.

24 12 2007

E como eu queria poder explicar todas as coisas na minha vida que começam exatamente assim: tive um sonho.

Tive um sonho que eu tinha um bebê de olhos azuis nos braços… Um mês depois nasceu minha segunda irmã, e eu que nem sabia que meu pai tinha uma segunda esposa…

Tive um sonho que eu estava assistindo aula numa sala meio esquisita, com muitos outros alunos… e um ano depois lá estava eu na faculdade, tentando lembrar onde tinha visto aquela sala antes… ah… tive um sonho…

Meu irmãozinho, hoje com 5 anos, minha sobrinha…

Meu bebê que eu vi o rostinho na hora exata em que eu engravidei… e que depois, em outro sonho foi tirado dos meus braços e levado… e acordei com uma dor insuportável e os lençóis ensopados de sangue…

***

Sonhei que desci sozinha e nua aos domínios do deus da morte, oferecí-lhe meu sangue em troca de livrar-me do mal que me acometia. Eu estava fraca e ferida, como se tivesse andado por muitos dias e atravessado lugares espinhentos. Tinha bolhas nos pés, tornozelos cortados, joelhos e cotovelos esfolados, como se eu tivesse caído mais de uma vez em chão de pedra. Meu cabelo estava muito sujo. Eu estava ajoelhada diante de um imenso portão de ferro, todo negro, e o Senhor da Morte em pé à minha frente. Eu me apoiava com as mãos no chão e olhava apenas para baixo, para a lama fétida embaixo de mim, que parecia me engolir aos poucos, mas não sujava os pés do Senhor. Implorei-lhe chorando com as últimas forças que me restavam, que me curasse da dor que eu sentia. Ele ria, e a minha alma afundava mais em desespero com o som do riso dele. Eu tentava erguer meu corpo da lama cinza-escura que era o chão, e chorava, e minhas lágrimas faziam chover. Eu puxava com uma das mãos o manto negro do Senhor da Morte e continua implorando entre gritos e gemidos que me livrasse do amor que eu sinto, por que eu amo alguém que não me ama. Ele ria e falava da Grande Senhora que desceu até os domínios Dele para descobrir que muitas eram as faces do amor, e que a mais cruel delas era a dor de amar alguém e mesmo assim querer deixá-lo. Ele me dizia que eu procurasse minha Senhora, que foi quem me ensinou a dor de amar. Continuava rindo… E meu corpo ia afundando naquela lama podre, e eu me deixava afundar, sentindo que nem meu sacrifício serviria para acabar com minha tortura. E eu me lembrava do sorriso dele e a chuva aumentava. Eu sentia raiva do dia em que nos conhecemos e ouvia os trovões. E eu, que fazia os céus se partirem com raios e trovões em minha raiva, nada podia fazer para curar meu coração partido. Quando faltava muito pouco para que eu terminasse de afundar na imundisse daquela lama escura, milhares de fadinhas coloridas e iluminadas vieram ao meu encontro. Elas batiam no meu rosto e tentavam me puxar pra fora da lama e algumas choravam e outras puxavam meu cabelo com raiva e gritavam “diga que não é verdade”. Ergui-me um pouco, o suficiente para que eu parasse de afundar e já não ouvia a risada do Mestre do Inferno. Percebi que já não chovia. Três das fadinhas, as mais brilhantes e coloridas flutuavam no ar na altura dos meus olhos e limpavam meu rosto com as mãozinhas e choravam.
- Mas por que… por que veio até esse lugar horrível?
- Por que não quis ouvir os conselhos da Grande Mãe?
Eu tentava falar e não conseguia. Eu chorava e não conseguia parar, por que haviam me impedido, e o Mestre recusou-se a me curar, recusou meu sacrifício. E eu odiava e agradecia ao mesmo tempo a cada uma das fadinhas que foram me salvar, e me condenar a não deixar de amar. Estava sentada nos meus calcanhares, com os joelhos no chão. Apertava com as mãos a lama que não tinha me engolido. muitas das fadinhas trabalhavam muito, tecendo fios ao meu redor que iam se tornando uma veste brilhante de muitas cores. Eu percebia que voltaria, as fadinhas me levariam de volta e eu pensava que ia ver o sorriso dele de novo, e falar com ele de novo e não conseguia parar de chorar. Eu via tudo embaçado por uma nuvem de lágrimas diante dos meus olhos. Disse apenas uma palavra: “Vinicius”. Um sussurro. E num instante, parece que tudo fez sentido para as fadinhas, por que elas pararam de chorar. Elas ficaram felizes, na verdade… E agora as que choravam e lamentavam tudo o que eu tinha passado para chegar até ali, cantavam, e dançavam ao meu redor agitando meu cabelo e enfeitando-o com fitas. As três fadinhas mais brilhantes riam muito. Duas delas me maquiavam dizendo que eu precisava de um pouco de cores em meu rosto. A terceira, mais brilhante que as outras duas erguia meu queixo e me dizia rindo:
- Anime-se. Então é por isso que veio até aqui? Para deixar de amá-lo? Mas não precisa!! Não precisa de nada disso, nem de sacrifício nenhum…
- Por que? Então existe meio mais fácil de tirar esse amor do meu coração? Para eu não precisar vir até aqui?
- Não, não existe… Mas não é preciso que exista!!
- Por que não?
- Por que o Vinicius… – e ela riu muito e rodopiou no ar dançando e rindo e gritou: – Por que o Vinicius te ama!!
E a música que as fadinhas cantavam dizia algo como: “e quando a tempestade parar, e o vento frio parar de soprar, e tudo for flores e festa ele virá e precisa estar pronta, mas tem que ter paciência, tem que saber esperar, mas ele verá e virá”.
E elas me puxaram pela mão e eu voei de volta. Num turbilhão colorido . E eu pensava que elas estavam erradas, que não havia motivo pra pensar que elas estivessem certas, mas meu coração estava quente e eu estava feliz e acreditava nelas.





Ha! Finalmente!

21 12 2007

Saiu minha tatuagem, depois de mil anos enrolando xD  Dá só uma olhada na data do meu post com o desenho que eu tinha escolhido… Nesse dia, eu já tinha marcado pra fazer, e de lá pra cá, aconteceu de tudo!! Juro!! Até quebrar a autoclave e acabar o material aconteceu! Mas agora tá ae. fiz. Palmas pra mim!





outra noite…

15 12 2007

… de lágrimas por causa dele.

Liguei pra ele de novo, alguma conversa boba… só pra ouvir a voz dele. Queria vê-lo amanhã, mas ele vai estar ocupado, de novo. Me faz lembrar da música do Cazuza… “migalhas dormidas do teu pão, pequenas porções de ilusão… Mentiras sinceras me interessam!”… E me deixam pensando: até que ponto o que ele me diz é verdade? Até que ponto ele gosta de ficar perto de mim, de ir ao cinema comigo e vir me ver? Até que ponto ele não consegue dizer não?

E hoje à noite eu choro por não saber se tudo que ele me diz é falso. Por não saber se ele gosta mesmo de mim ou se está tentando me tirar da vida dele. Então existem momentos como o show que me quebram. Quando estou quase convencida de que tudo que me resta é acreditar que ele prefere que eu saia da vida dele, ele me dá uma demonstração daquelas de carinho. E quando me convenço de que sei o que ele sente por mim, que tem um carinho profundo por mim, acontecem coisas como hoje:  inventa desculpas…

Como viver nessa montanha-russa? Por que as coisas não podem ser simples? Odeio o dia que nos conhecemos com a mesma intensidade com que amo esse mininu. E hoje eu quero acreditar que ele não merece meu amor. E quero odiá-lo muito, mas não consigo arrumar motivos para odiá-lo.

E volto pra minha vida normal e vazia, e percebo que talvez ele sinta tanto a minha falta quanto ele sente falta de uma dor de dente.