Parece ser hora de parar para pensar. De encontrar respostas pras perguntas que eu tenho medo de fazer. É fácil escrever que está tudo bem e depois olhar o post e perceber que é só uma casca vazia, uma desculpa. Não quero mais fingir que está tudo bem. Tive uns dias conturbados, senti meu coração partir-se em dois, depois em quatro, depois… Eu acho que nós sabemos nossas potências de 2. Chorei noites e noites, fiz tudo que podia e passou.
Difícil mesmo dizer se está tudo bem, se aceitei mais do que eu devia ou podia, se eu poderia fazer mais do que fiz, se faltou-me alguma atitude, se faltaram-me lágrimas, se faltaram-me sorrisos, mas tudo parece de volta ao normal. Mas o que é normal afinal? Meu normal? Nosso normal?
Deixei meu coração partir-se e partir-se, até que eu soubesse tudo, ou de tudo que posso saber. Tentei analiticamente por tudo em ordem, tentei me por no lugar dele, e percebi que nenhum de nós dois estava certo. Nem agindo certo, nem certo de como agir. Resolvi que se eu pudesse emendar os pedacinhos do meu coração, e pensar menos em mim, talvez eu pudesse ser (de novo) um motivo de alegria pra ele. Ainda não sei se isso é agir certo, mas senti uma mudança…
Olho a chuva em minha janela agora, e tudo parece normal. Acordei me sentindo bem, feliz até. Conformada talvez. Meus sorriso parece verdadeiro no espelho, apesar de uma certa inquietação. Talvez essa inquietação seja necessária, talvez nunca vá passar. Talvez se eu soubesse exatamente o que vai acontecer eu desistiria.
Acho que começo a entender que os planos não podem me dar a segurança que eu desejo. Que talvez não saber o que acontece depois seja a receita para viver cada momento como se fosse o único, o último. Que talvez seja necessário tropeçar para poder continuar em frente.
Me lembro agora de que eu sou como água. Um pequeno lago de água doce e morna, que pode envolver e aliviar as dores dos feridos. Que pode limpar o corpo e curar a alma, e esconder as lágrimas de quem mergulhar no doce leito. Enquanto embaixo d’água existe um outro mundo, mais bonito e sem barulhos, em sua superfície o vento sempre fará ondas. Bastará erguer a cabeça um pouco e esticar as pernas para retornar ao mundo com seus problemas, e perigos, mas se sentindo renovado. E o lago estará lá todos os dias, para curar e confortar.
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