Que dois corpos não oucpam o mesmo lugar no espaço, todos sabem. A lição se põe em prática constantemente pra quem pega o trem por volta das 7:30am. São corpos que se empurram, se esmagam, se sufocam diariamente, e apesar de já ser uma lição da física conhecida há muito tempo já, põe-se a lei em teste em experimentos todas as manhãs, e todas as noites.
Em meio a esse mar de corpos esmagados e suados, a preocuapção é de tirar sua bunda da proximidade de mãos que insistem em apertar-lhe sem querer. Você se vira e revira sobre seu próprio eixo, tentando mexer-se em menos de 0.5m2, e sente uma coisa esfregar-se em você insistentemente. Você fecha os olhos e deseja “tomara que isso seja um celular ou cabo de guarda-chuva” e não tem a mínima coragem de olhar pra trás, nem de imaginar qual sujeitinho está dando baforadas em seu cangote.
E o tempo arrasta-se e a estação nunca chega, o suor de todos lavam as janelas sujas do trem. Eu fecho os olhos e lembro do Vinícius, das mãos dele no meu corpo, seus lábios nos meus lábios e a paz que me invade parece amenizar o suplício.
As bolsas de mulher são um mistério para a maioria dos homens que conheci ao longo da vida, e muitos deles se recusam terminante a interferir com o sistema, pondo suas preciosas mãozinhas lá dentro. Eu já ouvi comentários e desculpas do tipo: “Mas nem morto!! Nunca se sabe o que tem lá dentro…”
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