… Ou Apenas Um Desarranjo do Horário de Dormir?
Não sei se uma coisa ou outra, mas estou sentindo de novo aquela inundação de pensamentos que não me deixa dormir…
Eu fico pensando no Vinícius, em como eu quis afastá-lo da minha vida, e tentar fingir que nada sentia por ele, em como tão rapidamente desisti disso, por que eu continuava querendo falar com ele, lutava comigo para não falar, e sofria, mais por forçar-me a ficar longe dele do que por estar longe de fato…
Então, tive uma conversa breve com ele, por msn, onde eu disse as coisas mais difíceis de dizer: que eu tentei me afastar pra esquecê-lo, e que não adiantou. Que eu preferia tê-lo como amigo a ter que não vê-lo mais, e que se ele realmente quer ser nada mais do que meu melhor amigo, quase meu irmão, que então não me confundisse mais com demonstrações involuntárias de amor.
Se eu penso no que ele diz que sente e no jeito que ela age comigo, minha cabeça dá um nó. Talvez seja mesmo só carinho de irmão, um carinho muito grande mais ainda assim, de irmão, talvez seja ele se esforçando para conter-se e não demosntrar nenhum carinho. Quando pedi pra ele agir como meu amigo da primeira vez, foi mágico: parecia que quanto mais ele se esforçava pra não demosntrar nada, mais ele se traía…
O pessoal costuma vir me contar que quando eu não estou por perto, ele senta-se com eles e desabafa, e fala de mim, diz que sente minha falta e fala e fala e mais de uma vez vieram me dizer que ele está apaixonado… É assim que eu concluo que não sou eu que quero ver que ele me ama e acabo vendo sinais que não significam nada… Quando outras pessoas te falam que percebem coisas também, a coisa se intensifica, e ele continua dizendo que o que sente por mim é um carinho de amigo, de irmão…
Eu disse a ele no msn que queria dizer tantas coisas pra ele, que nem sabia por onde começar… E ele sugeriu que eu enviasse um e-mail… Fico pensando se eu deveria escrever… Acho que eu conseguiria por as coisas em ordem pra ele com mais clareza por e-mail do que pessoalmente, mas eu queria estar lá do lado dele quando eu dissesse tudo isso, talvez deixando que ele segure minhas mãos trêmulas nas dele pra ter coragem de continuar.
Tem um turbilhão de pensamentos ao contrário que me impedem de dormir, de escrever pra ele, de ligar e tentar encontrar com ele pra conversar… Eu queria muito abrir meu coração pra ele por completo, mas em troca disso eu queria que ele abrisse o dele pra mim, se eu sou mesmo especial pra ele, como uma melhor amiga, ou até uma irmã, mas ainda assim especial, ele deveria confiar em mim e me dizer tudo também… Mas se é difícil pra mim, também deve ser difícil pra ele, e não consigo me forçar a exigir isso dele… Eu queria que o desfecho dessa conversa que teríamos fosse ele me confessando que me ama, e que não tinha coragem de dizer, ou algo assim, é meu desejo secreto e profundo: o final feliz dessa conversa. Mas e se o final não for esse? Eu ficaria chateada? Mudaria alguma coisa entre nós? Afinal, já estamos nessa de ser apenas amigos, será que ele decidiria não me ver mais? É disso que eu tenho medo?
Acho que eu tenho medo. Acho que o medo é o que me impede de fato de escrever pra ele. Medo de que? Todas as vezes que eu penso nisso, me vem à mente a mesma coisa: Peter Pan dizendo a Wendy que não queria beijá-la, e Sininho, morta de ciúmes por que via claramente que Peter amava Wendy. Quem sou eu ? Sou Wendy? Tentando convencer Peter Pan a me beijar? Dizendo a ele o óbvio: que ele me ama? Sou Sininho? A amiga apaixonda que no fundo sempre soube que Peter nunca se apaixonaria por ela? Sou Peter Pan e me recuso a abandonar a relação que tenho hoje com ele de amizade, a Sininho, em troca de finalmente fazer disso um namoro, ou seja, beijar a Wendy?
Talvez agora essas 3 partes de mim estejam lutando contra o Capitão Gancho, o medo. Wendy com medo de que Peter Pan na verdade não esteja apaixonado por ela, como ela por ele. Sininho com medo de que Peter Pan beije a Wendy e ela o perca para sempre. Peter Pan com medo de que o beijo o faça crescer, com medo de abandonar a amiga Sininho, como medo de que o amor talvez seja uma coisa ruim, que crescer talvez seja uma coisa ruim, afinal como saber, ele nunca sentiu antes.
Talvez por ser o que tenha o maior medo, Peter Pan tem a maior coragem, e desafia Gancho, e luta contra ele com sua adaga de madeira, e luta bravamente. Sininho, percebe que o medo dela não é maior do que o de Peter, e talvez por isso, tenha percebido que lutando ou não, ela perderia o Peter do mesmo jeito, e luta, e quase morre, mas o próprio Peter a salva, por que ele acredita em fadas. Wendy, que foi capturada pelo Capitão Gancho, não é menos corajosa por ter ficado prisioneira. Ela não se rende, e apenas espera, com dor no seu coração, que Peter a salve, e se a ama, vai salvá-la.
E essa batalha acontece agora, nesse instante aqui dentro de mim. Talvez, como Wendy, eu deva ser corajosa e apenas esperar, mesmo que isso me machuque, até que Peter Pan decida se me ama, e me salve, mas com a certeza de que embora a nossa amizade se abale nesse percurso, a Sininho não morre, por que o Peter Pan acredita em fadas. E assim, quando Peter Pan me beijar, juntos, decidiremos crescer, e o próximo passo se tornará apenas mais uma aventura.
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